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Ser médico X Ter um diploma para exercer medicina.

Pra mim são coisas completamente diferentes, embora, com certeza, muitos discordarão. Acreditem, antes de escrever eu pensei se estava sendo ignorante demais, aliás, tenho colegas da área da saúde aqui.
Conheci muitas pessoas que tinham um diploma para exercer medicina, e fui atendida por elas. Pessoas que possuem um diploma apenas para exercer, nos machucam, e por vezes, ferem nosso psicológico. Claro que a culpa não é delas, é nossa. É nossa porque deveríamos procurar por MÉDICOS.
Muitos vêm os médicos como pessoas ruins, tenho infinitos relatos da minha família e amigos, mas a esses "médicos" eu atribuo: pessoas que tem um diploma para exercer medicina. Como comentei, já fui atendida por eles, lembro-me de uma vez que fui ao hospital porque estava com infecção urinária, ardendo por dentro e nem fazia noção do que fosse, quando eu entrei na sala daquele que tem um diploma para exercer medicina, já ouvi dizendo para um outro que “esse mês é o último mês  nesse inferno e logo poderei estar surfando, nas férias”. Me pergunto o que impede uma pessoa de ser surfista, se é o que ela realmente gosta. O que impede uma pessoa de ser feliz?  Mas enfim, segundo ele, a causa de se estar com infecção urinária dá-se pela areia da praia. E eu me calei pra isso. Não sei o que ele pensou sobre isso, mas era inverno e eu estava de casaco, sem possibilidades de praia. Me calei porque sabia que ele não sabia o que estava falando.
Outro caso, recentemente num posto de saúde. A “médica da minha área” estava de férias”, e por conta disso eu não poderia ser atendida, implorei para que fosse atendida por uma outra médica, pois eu só queria uma assinatura num laudo médico, e a mesma não quis me atender porque não tinha conhecimento da minha “área”. Se ela pudesse me ouvir, quem sabe... mas eles nunca podem te ouvir, não é mesmo? Você nem sabe de nada! E quando eu soltei um “nossa, que injusto!”, eu fui recebida com um “injusta é você que não resolveu isso antes, deixou passar!!!”. Se soubessem o quanto eu tentei, durante um mês inteiro...
Posso não conhecer nada da área médica, e realmente tampouco conheço, mas pra mim, médico é além daquele que medica, é alguém que ajuda além de curar, pois não basta curar sem que nos ajude/auxilie como será daqui pra frente. Conheço pessoas que querem fazer medicina para cuidar da mente, querem estudar tudo, porque só psicologia e psiquiatria não bastam, tiro o chapéu pra eles. E acho que muitos médicos esquecem disso: do poder da nossa psique. Ela tem muita importância, quando se trata de saúde, às vezes mais importância do que a "enfermidade" em si. 
Dar um diagnóstico médico e investigar a natureza da causa e só, não nos ajuda. Não nos ajuda porque se não vir de vocês que "entendem" quiçá de quem é aspirante a médico, como a minha tia ou a minha vó (risos).
Prescrever talvez nos ajude, muitos fazem, mas nem com tanta eficácia.
E é quando encontramos MÉDICOS, que sabemos diferenciar os dois temas postos aqui. Aqueles que não possuem a arrogância de serem médicos, e que quando tu fala, te ouvem.
O MÉDICO tem conhecimento que por trás de uma "causa" tem uma família e um tipo de relação familiar, tem um distúrbio, tem  uma renda, tem um tipo de relacionamento, tem uma rotina, e claro, tem uma psique. 
Durante o mês passado foi bem difícil um médico que me atendesse e me ouvisse. Foi um mês inteiro tentando contato. E eu chorei de raiva!
E então fui fortemente surpreendida com a resposta de um e-mail. Um e-mail! Por um médico de São Paulo, que me atendeu uma única vez na vida, e que eu sabia que podia contar com ele, onde aqui em Florianópolis, até mesmo a instituição que tem todo o meu prontuário desde 1999, alegou que eu não precisasse da ajuda que eu tanto queria, foi um mês tentando contato, e um mês sendo negada, e olha que nem pra consulta era.
Mas voltando... que médico nessa face da terra se dispunha em sair do trabalho dele para se deslocar até um outro consultório para me pegar um laudo médico, sendo que ele nem trabalhava mais lá? Ele sabia da importância disso pra mim, e não foi a distância que impediu.
Eu mandei um e-mail tentando tirar uma dúvida e a resposta que eu recebi foi: "eu posso te ajudar, eu faço isso pra você”. Mas não entendam mal, eu não precisava de nada prescrito por ele, era uma dúvida de onde conseguir o que eu queria, o local já tinha meu prontuário e um próprio laudo médico atualizado.
Bom, outras coisas ocorreram e eu não precisei que ele se deslocasse. Respondi então com palavras de agradecimento, porque o e-mail dele me acalmou de uma tal forma. E ainda não bastasse a surpresa do primeiro e-mail, houve um segundo, em resposta ao meu agradecimento, o que eu nem imaginava que ocorreria também, visto a rotina praticamente cheia que ele desempenha, na melhor clínica de reabilitação auditiva de São Paulo.
Agradecer à ele pelas vezes em que ele foi mais do que um médico, teve impacto sobre ele mesmo, eu não sei a maioria das pessoas, mas eu costumo agradecer de alguma forma, por mais pequena que seja a coisa. E um "fico muito feliz em receber um retorno como o seu, pois esse tipo de ação me motiva a continuar", me atacou como um dobro de felicidade.
Que ele continue sempre! Que MÉDICOS continuem sempre!



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