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Mostrando postagens de julho, 2013

Jardim das noivas.

 Éramos em quatro, estava frio e estávamos correndo, eu não lembro direito o porque, mas eu corria muito, já sem fôlego, corríamos e fugíamos de algo que eu já não lembrava mais o que era. O medo nos dominou e sei que passou tanta coisa pela cabeça de cada um.  Começou a chover, ficou mais frio, fiquei com mais medo. Minhas lágrimas se misturaram com as gotas da chuva, mas agora já estávamos perto de casa, faríamos um caminho diferente, mas um deles disse que seria mais rápido, só precisávamos encontrar a entrada, subir no matagal e chegar até nossas casas.  Estávamos quase perto e começamos a ver vultos, vultos que passavam correndo por nós, desesperados e com tanto medo quanto era o nosso medo.  Lembro que naquele trecho da estrada já aconteceram vários acidentes, a maioria de casais recém casados, ou a caminho da igreja, parecia algo com superstição, mas pra mim não passava de coincidências, pois havia mesmo uma igreja perto dali.  Começamos então a ouvir...

Casas.

 Eu tenho tantas casas, moro em tantos lugares, que às vezes fico em dúvida pra qual delas ir durante o dia.  E digo mais, todas elas são dignas de se morar, aliás, se moro ali ou aqui, é porque me sinto bem, é porque elas me fazem sentir bem.  Realmente me considero rica, o que eu tenho e encontro cada vez que vou em cada uma das minhas casas, me faz sentir realizada, privilegiada, em casa. E cada vez que deito em cada cama diferente que tenho, meu descanso é pleno, repouso a cabeça e fico, fico até querer mudar de casa.  Nunca pensei que iria ter casas tão confortáveis como as que tenho, mas tem gente que mora lá também e eu tenho que lidar com isso, porque tem casas que não são só minhas. E é por vezes que prefiro aquelas que são só minhas, em que eu posso ficar sozinha, que ninguém vai querer mudar os móveis de lugar e nem me incomodar, e nem ouvir meu pensamento alto sobre todas as minhas casas.  Casa. Não há anda melhor do que ter uma casa. Quer dizer,...

Sobre a saudade.

 Bom, realmente... a saudade passa! Ufa!  Às vezes tu se pega pensando na pessoa, daí lembra dela como o quê?  Pra mim a saudade passou. Não sei se por completo, acho que sim.  Mas daí eu paro, penso. Em quem é que eu tava pensando mesmo? Quem é essa pessoa que eu tava pensando? Daí eu percebo, percebo que não sei mais em quem é que eu tava pensando. Numa pessoa desconhecida, talvez? Já não sei mais quem ela é! Posso me lembrar um dia, lembranças do que já foi. Mas eu não conheço mais essa pessoa.  E o não conhecer acaba sendo estranho, no momento em que você lembra dela. Você lembra, mas você não conhece mais. Então você percebe que a pessoa agora é uma estranha pra você, que você não sabe mais nada da vida dela, talvez até queira saber, mas não sabe.  E isso é muito, muito estranho.  Por momentos eu achei que não passaria. Bom, mas... eu sinto falta. Falta é diferente de saudade. Eu sinto falta dela do meu lado sempre, mas saudade não, e aliás,...

Impulsão.

Somos nossas lembranças. Constituímo-nos por nossas memórias. Sou aquele lençol pendurado no varal fingindo ser a cortina de um teatro. Sou aquele suco de folha de limão distribuído para os espectadores, que se sentavam na grama mentalizando estar sobre cadeiras confortáveis. Sou aquela caminhada na ponte que hoje é só um cartão postal. Sou a historinha que meu pai contava antes de eu dormir sobre barcos e navegações.  Somos formados por aquilo que lembramos. Agimos a partir das nossas memórias. Parei de comer meleca de nariz quando passei a lembrar da minha mãe dizendo que isso não é legal. Tive certeza de que queria estudar muito e sempre quando pensava nos dias tão infinitos das descobertas incríveis em sala de aula. E tive certeza, também, da professora que não queria me tornar lembrando dos detalhes tão pouco incríveis de outros momentos. As lembranças de nossas histórias e de nossas raízes podem explicar, então, muitas de nossas ações e escolhas. Talvez eu tenha me tornado pr...