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A parte que falta...

  Eu sempre gostei muito de escrever, desde pequena já escrevia e me arriscava a ilustrar livros. Criava livros, personagens e histórias. Fui crescendo, e comigo uma escrita triste andava á espreita, junto com meus contos que nem sempre acabavam felizes. Cresci mais um pouco e parei de escrever. E entrei na faculdade de Filosofia e de repente não conseguia mais escrever em uma linguagem em que todos entendessem. Era uma escrita difícil, seca, que só pessoal da Academia entendia. Era uma escrita filosófica e todos os meus textos se tornaram assim. Saí da Filosofia, entrei pra Pedagogia, e senti que mais uma vez, a minha escrita tinha que mudar, tinha que ser mais leve. Tive que voltar a aprender a escrever. Desde a Filosofia eu sentia falta de uma escrita que eu chamava pra mim mesmo de afetiva. E na Pedagogia, eu consegui soltar essa escrita. Eu já conhecia Ana Holanda, e pesquisei mais por vídeos e livros dela e vi que essa escrita afetiva realmente existe. Comecei a escrever afet...
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É que ninguém vê.

Tem frio, que a gente nem sente. E quem sente, sente frio demais. Tem flor, que a gente nem sente o cheiro. E quem sente, sente. Tem chocolate que fica um gosto bom na boca. E há quem nem sente. Tem gente que sente por tudo. Outros que não sentem por nada. Qual seria o meio termo do sentir? Meio que sinto? Não dá pra sentir pela metade. Ou sente, ou não sente. Sentir não tem problema. É ser vulnerável. Tem gente que é vulnerável. E tem gente que nem vê. Tem coisa que é pra ser sentida, Sentida mesmo, do verbo sentir. Mas, tem quem não sente. É que na verdade, ninguém vê. É que ninguém vê. Ninguém vê. Vê!

Vermelho.

   Fazia frio e o fogo estava aceso.    A chaleira estava fervendo, correu para desligar e fazer o chá de hibisco, que combinava com a cor do fogo, para onde estava de frente agora, sentada em sua poltrona acolchoada, que balançava. Um cobertor sob as pernas. Tinha uma mania de combinar cores.    Deixou o chá esfriar e enquanto esperava, passou os olhos pela sala. Na outra poltrona, um caderno de capa marrom, com folhas vazias, que comprou em qualquer dia desses para ajudar alguém na rua. Foi buscar o caderno. Sentou. Abriu na primeira página. Pensou em algo. Levantou-se novamente e pegou uma caneta preta. Começou a escrever...    Quando Liana acordou, já era dia. Viu o chá ao lado, provavelmente bem gelado. Não foi nem tocado. Fazia mais frio do que ontem.     Deu mais uma chance ao chá, mais uma tentativa. Se enrolou na coberta e foi para a cozinha. Colocou a água para ferver, fez torradas na torradeira. A manteiga estava du...

Crianças.

No dia 09 de fevereiro eu postei essa foto. Estou de férias e revisei todas as fotos que tirei esse ano, e não pude deixar de compartilhar a experiência grandiosa que eu tive em 2017. Acostumada a escritórios com mesa organizada, salas fechadas, me deparei vários dias com minha mesa suja e bagunçada, materiais jogados, sem entender. Com o tempo entendi! Fui achando lindo toda a bagunça e o colori do, meu "escritório" em sua grande maioria era na rua, ao ar livre e com sol, com árvores balançando... A maioria das fotos se resume em cor, colorido, pinturas, tinta, bagunça, sorrisos, felicidade, teatro, balões, mãos pequenas, carinho, cartinhas, lembrancinhas, lanchinhos, rosto e roupa sujos, CRIANÇAS... Em 09 de fevereiro foi só o começo e eu nem pude imaginar o quanto de amor pra minha vida isso me traria. Tanto que não posso nem chamar isso de "meu trabalho", mas posso chamar de "escola" mesmo, aprendi, vivenciei, passei por experiências, consegui cois...

Dia Nacional da Educação Infantil.

Trabalhar com educação infantil é acalmar um choro no primeiro dia de aula. É ganhar um bolo em forma de coração, só que de massinha de modelar. É ganhar beijo e abraço por livre e espontânea vontade, quando vão embora. É ser a tia de muita gente. É ter o dia lindo e colorido. É ter duas crianças de 2 anos grudados na sua perna, cada um em um lado, querendo carinho. É sentar no chão e sentar cada um em uma perna e ganhar beijos gostosos nos dois lados do rosto. É ensinar as cores e ficar meia hora ouvindo: esse é azul, esse é amarelo, branco, verde... É ganhar bolinho, só que de areia. É ficar feliz quando sabemos lidar com a deficiência de alguém e saber como dar atenção. É pegar eles no colo pra descer escada e não querer soltar mais. É se apegar de coração. É ouvir um"eu te amo deeeeesse tamanho" com os bracinhos abertos. É ter elogio sobre o esmalte que você pinta a unha. É ser puxada pelo braço, só pra receber carinho "eu vou beijar a sua mão todinha" e ganhar...

A cor da minha felicidade.

Felicidade tem cor e tem sabor, tem textura e tem sons, tem cheiro. A minha felicidade é colorida. Ela tem a cor dos lápis de pintar, que fazem uma roda colorida de diversas cores, no potinho azul da minha escrivaninha da escola. Minha felicidade tem a cor do sorriso da minha Mãe, em todos os dias que ela me acorda de manhã cedo, pro meu dia ser melhor. Tem todas as cores que o meu Pai usa para pintar carros e ônibus, tem todas as cores de misturas e fórmulas. Tem a cor das blusas pretas e brancas e azuis marinho que o meu amado usa, quando me abraça bem forte e eu só consigo ver uma parte do seu pescoço e o tom de suas camisas, que me apertam forte, peito contra peito.  A minha felicidade é colorida quando toda a minha família está reunida como se fosse um lindo arco-íris e o pote de ouro no final fosse a felicidade de cada um. Tem a cor do verde da natureza, das árvores que mexem suas folhas como uma dança do ventre, que é tão única dela. Tem a cor que uma ativid...

Helena.

   Levantou, fez um coque no cabelo. Olhou para a cama e pensou em arrumar, mas saiu do quarto já com bastante cheiro de lágrima. Lágrima tem cheiro. Cheiro do-que-eu-queria-que-fosse-e-não-é.    Foi ao banheiro escovar os dentes, ficou parada se olhando no espelho, mas seus pensamentos estavam em outro mundo, até o cheiro do café penetrar o banheiro. A cafeteira encheu demais, caiu gotas de café pelo chão. Não importava, não importava mais.    Helena chegou a pensar um dia que o mundo era dela, mas não era. Mas quando o café caiu no chão, ela lembrou o que mais queria esquecer: alguém que não existe mais naquela casa. A cafeteira não precisava mais ficar cheia. Mas já faziam 4 meses. É tempo de se acostumar.    Sentou na mesa com uma xícara de café preto, e agora ela não adoçava mais, porque a vida não era mais doce, e comeu uma bolacha de água e sal. E talvez a vida seja isso: água e sal. Naquele momento a vida estava salgada demais para engo...