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A parte que falta...

 Eu sempre gostei muito de escrever, desde pequena já escrevia e me arriscava a ilustrar livros.

Criava livros, personagens e histórias.

Fui crescendo, e comigo uma escrita triste andava á espreita, junto com meus contos que nem sempre acabavam felizes.

Cresci mais um pouco e parei de escrever. E entrei na faculdade de Filosofia e de repente não conseguia mais escrever em uma linguagem em que todos entendessem. Era uma escrita difícil, seca, que só pessoal da Academia entendia. Era uma escrita filosófica e todos os meus textos se tornaram assim.

Saí da Filosofia, entrei pra Pedagogia, e senti que mais uma vez, a minha escrita tinha que mudar, tinha que ser mais leve. Tive que voltar a aprender a escrever.

Desde a Filosofia eu sentia falta de uma escrita que eu chamava pra mim mesmo de afetiva. E na Pedagogia, eu consegui soltar essa escrita. Eu já conhecia Ana Holanda, e pesquisei mais por vídeos e livros dela e vi que essa escrita afetiva realmente existe.

Comecei a escrever afetivamente e dava certo, tocava as pessoas.

Comecei a estudar sobre Reggio Emilia e vi que o afeto estava presente.
A pedagogia de Reggio Emilia se encaixou com tudo o que eu acredito: a arte, as pinturas, a "escrita româtica", o amor pelas metáforas (como Vea Vechi), a fotografia, o afeto, a simplicidade, as coisas extraordinárias, a linguagem poética, a escuta atenta... O meu universo e aquilo em que acredito estava tão ali, que eu pensei " foi mesmo preciso essas voltas todas da vida, pra eu encontrar a minha parte que faltava"? Parece que era algo que fazia parte de mim a muito tempo mas que estava solto por aí, até eu eu encontrasse. E quando eu li o prefácio de "A arte e criatividade em Reggio Emilia", estava tudo lá. Todo esse universo. É muito instigante.
Acredito que encontrei meu caminho e isso me conforta demais. Só que ao mesmo tempo que conforta e é leve, precisa de um pouco de dúvida, para ir sempre atrás de saber mais e de dar o meu melhor.
As coisas que acontecem em nossa volta, na nossa vida, vem nos formando para aquilo que faz parte da gente, por isso temos que caminhar sempre, ir atrás daquilo que é nosso.

Desejo a cada um que encontre aquela parte sua que estava perdida andando por aí. É como se fosse um enigma, mas está lá e existe em algum lugar.
Não desista de procurar a sua parte. Ela faz (parte) de você!

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