Meu coração é um caquinho de vidro. Me corta por dentro. A cada vez que respiro. Meu coração é meu e ninguém tem nada a ver com isso. Pena que ele só corta a mim. Queria que ele te cortasse também. Meu coração me machuca. Dói. E a culpa é minha, que deixo, deixo ele fazer quantas vezes quiser. Quando alguém me abraça ele dói. Porque aperta. E esse caquinho de vidro crava nos outros órgãos. Quem me abraça não sente, é raro quem sente, mas eu sinto muito. Dói. Esse caquinho de vidro é cheio de pontas, farpas, é alinhado, muito bem amolado. Acordo de manhã, e a primeira coisa que eu sinto é ele. Doendo. Suplicando. Por algo que eu não posso dar. Eu sinto que ele chora dentro de mim, porque ele também não aguenta mais ser um caquinho de vidro, ele queria voltar a ser normal, como ele era antes, harmonioso, e até inteligente. Ten...