Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de junho, 2014

Caco de vidro.

 Meu coração é um caquinho de vidro.  Me corta por dentro.  A cada vez que respiro. Meu coração é meu e ninguém tem nada a ver com isso.  Pena que ele só corta a mim.  Queria que ele te cortasse também.  Meu coração me machuca.  Dói.  E a culpa é minha, que deixo, deixo ele fazer quantas vezes quiser.  Quando alguém me abraça ele dói.  Porque aperta.  E esse caquinho de vidro crava nos outros órgãos.  Quem me abraça não sente, é raro quem sente, mas eu sinto muito.  Dói.  Esse caquinho de vidro é cheio de pontas, farpas, é alinhado, muito bem amolado.  Acordo de manhã, e a primeira coisa que eu sinto é ele.  Doendo.  Suplicando.  Por algo que eu não posso dar.  Eu sinto que ele chora dentro de mim, porque ele também não aguenta mais ser um caquinho de vidro, ele queria voltar a ser normal, como ele era antes, harmonioso, e até inteligente.  Ten...

Marina, cretina!

"Não se perde por amar". Marina ama, ninguém ama Marina. Marina sofria? Não! Marina amava! E por amar não sofria, correspondida ou não, Marina dizia que se amasse, sua vida não se passaria inutilmente, aliás, Marina faria da vida algo que ela gostasse: amar. Marina é uma puta, fica na Av. dos Bosques, todo dias, às 21. Pega "carona" com qualquer um. Qualquer um podia fazer o que quisesse, com a Marina. Tem um que ela ama, ele não aparece sempre, e quando ele aparece, ela fica feliz; espera por ele todos os dias, mesmo sabendo que ele não virá todos os dias. "Não se perde por dar amor". Era o que Marina falava às suas colegas, estas que odiavam a profissão, estavam ali porque precisavam, e Marina estava porque gostava. Marina gostava de ser beijada nua, se entregava, e seu corpo dançava em cima de outros corpos, rebolava, tremia, gemia, gozava, apalpava, sussurrava, mordia, se gabava. Marina adorava! Marina não fazia sexo, fazia amor. Marina não tin...
Vomito essas palavras, que mal cabem em minha garganta, ganham vida própria e percorrem meus dedos, seguram essa caneta, e se escrevem - furiosas - elas mesmas. Quero dizer que o tempo é certo. O tempo é tudo de ruim e tudo de bom. Quero dizer que os ventos são contrários, que são ventanias e também sopros. Quero dizer que as coisas são passageiras, ligeiras ou não. Quero dizer que essas palavras são fracas, feitas de manteiga e pão. Disse as palavras. Quero dizer que as coisas são uma metáfora, e as pessoas também são. Que o tempo apaga, e a memória não. Que o coração palpita, e o cérebro pouco liga. Que eu te suplico e tu não vens. Que eu te escrevo e tu não me lês. Que sou palavra e não me percebes, por isso tanto me julgas. Que me acho poeta e não sou. Que sou feita de frases e tempos verbais, que possuo adjetivos e estou atracada no cais. Minha voz é rouca, mas não se vai, nunca mais! Que possuo medo, desejo, que o p...
“Se você quiser me contar seus segredos, sou de todo ouvido. Se os seus sonhos não derem certo, estarei sempre lá para você. Se precisar se esconder, terá sempre minha mão. Mesmo se o céu desabar, estarei sempre contigo. Sempre que precisar de um lugar, haverá meu canto, pode ficar. Se alguém quebrar seu coração, juntos cuidaremos. Quando sentir um vazio, você não estará sozinho. Se você se perder lá fora, te buscarei. Te levarei pra algum lugar, se precisar pensar. E quando tudo parecer estar perdido, e você precisar de alguém, eu estarei sempre aqui". "As pessoas são assim, dizem que não sabem viver sem você. Depois aprendem e esquecem de comemorar contigo. E deixam vazio o lugar que sempre será delas. Eu não, eu simplesmente estou aqui, de vez em quando sujo, entediado, agressivo, mal-humorado, triste, calado e chato. Mas aqui". Martha Medeiros e Gabito Nunes

Sobre caminhar e cantar, e seguir a canção.

Aceitar as coisas como elas são. Viver a realidade como ela é. Não é fácil. Depende de tempo. Leva tempo. Mas, quando caímos na realidade, ela nos salva. Então a gente percebe, que tudo que era bom foi, que tudo que era maravilhoso passou, passou, e ficou, ficou pra sempre no coração, na memória, na lembrança. Eternizou! As coisas são pra sempre sim! Elas se eternizam dentro da gente! Ora, cada momento é pra sempre, não dá pra ir lá e apagar. Não sejamos bobos, então, todo mundo que ama sabe que o pra sempre, existe! Talvez a vida seja um dia nublado. Há dias nublados felizes. Há dias nublados que chovem. Há dias nublados que dá sol, dá arco-íris, dá um céu cinza. E de repente, não mais que de repente, o céu cinza vira azul, o tempo abre, a vida sorri. Eu que não sou poeta, virei! Porque quem ama, poetiza. Quem ama harmoniza, quem ama romantiza. A vida. O outro. O sorriso. As palavras. O tempo. Os dias. (H)á poesia.

Carta de uma jovem homicida.

Mãe, hoje eu acordei, tomei café, comi aquele bolo que a senhora fez, com calda de chocolate e aquela cobertura de coco que eu adoro. Na hora de sair pra trabalhar eu não quis ir, voltei pra cama e pensei em tudo, Mãe. Pensei e vi que não dava mais pra viver fingindo. Eu não sei o que é ser feliz, eu não sei como ser uma pessoa feliz e contente na vida. Então eu me homicidei, Mãe! Não foi suicídio, porque eu não me matei, quem me matou foi o amor, Mãe, o amor! E eu queria que todos soubessem que o amor mata, que ele corrói por dentro, mas que por fora, finge ser essa beleza que ele não é. A minha vida foi só fingimento, e veja só, até o amor é fingido. Se é que eu posso chamar isso de vida, eu nunca tive uma vida-vida. Mãe, eu sei que vai doer quando a senhora me ver morta, mas eu agradeço hoje por cada caldinho de feijão que a senhora fazia, por ficar soprando os meus joelhos quando eu caía de bicicleta, por toda cobertura de coco, por toda dedicação e todo carinho que a senhora m...