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Marina, cretina!

"Não se perde por amar".
Marina ama, ninguém ama Marina.
Marina sofria? Não! Marina amava!
E por amar não sofria, correspondida ou não, Marina dizia que se amasse, sua vida não se passaria inutilmente, aliás, Marina faria da vida algo que ela gostasse: amar.
Marina é uma puta, fica na Av. dos Bosques, todo dias, às 21. Pega "carona" com qualquer um. Qualquer um podia fazer o que quisesse, com a Marina. Tem um que ela ama, ele não aparece sempre, e quando ele aparece, ela fica feliz; espera por ele todos os dias, mesmo sabendo que ele não virá todos os dias.
"Não se perde por dar amor". Era o que Marina falava às suas colegas, estas que odiavam a profissão, estavam ali porque precisavam, e Marina estava porque gostava.
Marina gostava de ser beijada nua, se entregava, e seu corpo dançava em cima de outros corpos, rebolava, tremia, gemia, gozava, apalpava, sussurrava, mordia, se gabava. Marina adorava!
Marina não fazia sexo, fazia amor.
Marina não tinha vergonha, não tinha família, não tinha amor (de alguém), não tinha amigas, mas ela tinha a ela mesma e o amor que levava com ela, tinha uma casa, tinha um pássaro na gaiola, tinha um espelho, se amava, era feliz.
Uma noite o amor de Marina apareceu, abriu a porta do carro, entrou. Levou-a pro mesmo motel de sempre. Marina se sentiu desejada, sua parte íntima queimava, e depois de tudo feito, Marina disse: Eu te amo! Ele, deu um tapa na cara dela e disse: Marina, cretina! Ela respondeu: Não se perde por sofrer de amor! Não há vergonha em sofrer de amor! Ele tapeou-a novamente.
Marina virou as costas, foi-se embora, e continuava amando novamente.

Marina era diferente,
Marina era feita de amor. Marina era feita de se doar de amor.
Marina era mesmo uma cretina!

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