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Mostrando postagens de março, 2014
A verdade mesmo, é que gosto de mim assim, do jeito que sou. Com o cabelo cheio de cachos, com os cílios sem máscara, com meus óculos de grau e minhas unhas estreitas. Gosto do jeito que eu me visto, e do meu gosto tão peculiar e fora do normal. Mas muito mais que isso, eu gosto de mim. Esse "mim" de dentro. Esse que sofreu (e sofre) por coisas banais e por coisas graves. Essa eu que é forte, mas às vezes não aguenta a barra e berra, chora, faz cara feia e birra. Essa eu toda complicada, sincera, estranha, estressada, com uma personalidade tão forte que nem eu mesma aguento de vez em quando. Mas nasci assim. Embora eu me esforce pra mudar tudo que há de excesso em mim, essa sou eu... E aprendi com o tempo, com as decepções, com O amor Fraternal, que não há nada de errado comigo por ser assim. Que existem pessoas que me admiram, não pelos meus traços, mas pelo meu coração e meu caráter. Aprendi que como elas me amam, eu posso me amar também. Janaína Yasmin
Por tanto tempo quis pessoas ao meu redor, para falar a mim o quanto a vida era boa ou o quanto poderia se tornar, pessoas para me dizer que a esperança tarda, mas vem num solavanco.  Pedia, num estado de ignorância do momento, que Deus estivesse sempre ao meu lado, e de tanto querer, eu o sentia. O meu querer me confundia, o Deus que me pregavam (e me pregam) nunca existiu, Ele era/é apenas a resp osta que eu dava quando não tinha mais respostas cabíveis.  Após alguns anos, gradativamente, comecei a compreender que sou parte de tudo o que os meus sentidos compartilham comigo. A minha matéria é parte do céu, as estrelas são um eu encarnado no cosmos.  Sou insignificante diante do Universo, e não me sinto constrangida ou com o espírito abatido por tal constatação, na verdade um sentimento de euforia me abraça nesse momento, porque é a primeira vez que me igualo ao que sou.  Nós nos consideramos muito, mas somos nada. Criamos deuses porque não conseg...

Sobre as pessoas de 30.

Eu pensei que depois dos 30 já não se sofria mais por amor. Pensei que as pessoas já tivessem aprendido o que é isso, que já soubessem o que fazer com a dor, pensei que já saberiam como tirar 10 na prova da vida, de tanto estudar e repetir. Pensei que lá nos 30 e poucos as pessoas já saberiam como ser felizes, sem depender de ninguém, que seriam independentes, que achariam bobagem qualquer poesia de amor, porque na poesia tudo é lindo, pensei que qualquer pé na bunda que levassem, estava tudo certo, que apenas iriam curtir o momento que passou e lembrariam só do que foi bom. Pensei que pessoas de 30 anos saberiam me dar conselhos sobre o amor, mas a verdade é que ninguém sabe dar conselhos sobre o amor. Você pede um conselho pra uma pessoa de 30 anos e ela se lembra de tudo o que já passou nessa vida, e é mais fácil eu dar conselhos pra uma pessoa de 30 anos, porque ainda não passei por tudo, minha cabeça ainda é fresca. Mas não é bem assim. Parece que as pessoas de ...
E estas, são para você... Eu não queria me preocupar tanto com você. Como uma coisa dessas pode ser tão difícil de evitar? Explique-me, pois eu mesma já me dou por confusa. Talvez confusa não seja a palavra correta, não tenho certeza do amor que sinto por você, mas tenho a de que daria a minha vida para salvar a sua, se isso fosse possível. Preocupo-me com você quando não faz nada, quando faz tudo, preocupo-me a todo o mom ento mesmo sabendo que é a atitude mais idiota para se ter quando se sabe que o outro lado não se importa. Mas e daí? Isso não muda o fato de que não consigo me mudar. Sou uma droga de pessoa, uma grande droga. O único lugar capaz de me refugir é a palavra que mora em mim, queria poder me refugiar em você, mas em ti não cabe mais ninguém, felizmente. Eu não sei falar, queria tanto saber falar e vomitar em você segredos que guardo a oito chaves, que são relíquias e geram literatura em mim. Eu sou uma egoísta, uma grande egoísta, uma nefasta egoísta. Estou perdendo o...
Quão triste é esse mundo, as pessoas não tem tempo pra nada. O tempo é raro, é temporário. Não se lê mais livros com mais de 200 páginas, não se atentam ao que passa aos olhos a não ser o semáforo - e não esperam. Não há mais tempo para esperar. Não há mais tempo para poder passar o tempo. Quão triste perceber que nem pra tristeza da mais pra sofrer - a vida se tornou maquinal, ferrenha, robótica. Todos ciborgues com seus celulares e tablets e bips e doando o coração e os olhos porque sentir e olhar toma muito tempo. Não há mais tempo para poesias além de duas linhas. A vida deixou de ser marcha, agora é trote. O sol se pôs mas ninguém agradeceu - a lua, sozinha, acompanha o amanhecer. Kowa
A escrita, esta, pois, a quem me coloco como amante; quem porque a escrita é alguém, ela sou eu, às vezes eu não sou ela, mas parte de mim é dela; amante porque casar com a palavra a transforma em obrigação, ela passa de boca em boca, de corpo em corpo até vir à minha mão. É a esta que o mundo vigia, que os deuses temem; que os reis se sucumbiam. A boa palavra não se mostra, tal qual um bom deus deveria ser. Sim, é a esta que entrego as minhas mãos, e toda essa insignificância que chamam de vida. É para ela que me resguardo quando não quero ser feliz. É para ela que me abro quando a angústia bate à porta de mim mesma. É para esta. P.F. Filipini
"Quando as palavras resolveram que fariam parte da minha vida eu já tinha sido dominada por elas. Agora quem escrevia não era só eu, eram todas as pessoas que habitavam em mim. As palavras fizeram-me refém e muitas vezes perco-me nos personagens que crio. Seriam eles ficção ou realidade? Poderia nomeá-los sonhos, esses de olhos abertos que quase sempre transportam minha alma pra beira da praia ao som de Legião. Eles sabem que é lá que minha calma repousa, deixando-me alma. Esses personagens, vão e vem em estações da vida. Muitos deles só fazem ainda parte de mim pois os escrevi, outros, nunca fizeram, os textos os arremessaram no mesmo oceano que um dia banhou o corpo, outro dia chorou as lágrimas do amor. O desafio da escrita, é encontrar-se no meio desses tantos personagens. A junção de Leminski com Bukowski, de Clarice com Drummond, de Ana, Marina, Lucas e Matheus. De você que acordou do meu lado e beijou, e dele que mudou de estação e me deixou. Todos, formando um eu." ...

Sobre a menina que roubava livros.

Sempre tentei ignorar, mas sei que tudo isso começou com um trem. Neve. E o meu irmão. Fora do carro, o mundo foi jogado em um globo de neve. Em um lugar chamado rua Heaven. Havia um homem bom e uma mulher amargurada que esperavam por sua filha nova. Ele viveu em nosso porão como uma coruja sem asas. Até o sol esquecer como era o rosto dele. O livro flutuou rio abaixo, como um peixe vermelho perseguido por um garoto loiro. WRITE - ESCREVA!!! Para Max, que me deu olhos. Liesel Meminger