A escrita, esta, pois,
a quem me coloco
como amante;
quem porque a
escrita é alguém,
ela sou eu, às vezes
eu não sou ela,
mas parte de mim
é dela;
amante porque
casar com a palavra
a transforma em obrigação,
ela passa de boca em boca,
de corpo em corpo até vir
à minha mão.
É a esta que o mundo
vigia, que os deuses temem;
que os reis se sucumbiam.
A boa palavra não se mostra,
tal qual um bom deus deveria ser.
Sim, é a esta que entrego
as minhas mãos, e toda essa
insignificância que chamam de
vida. É para ela que me resguardo
quando não quero ser feliz. É para
ela que me abro quando a angústia
bate à porta de mim mesma.
É para esta.
P.F. Filipini
a quem me coloco
como amante;
quem porque a
escrita é alguém,
ela sou eu, às vezes
eu não sou ela,
mas parte de mim
é dela;
amante porque
casar com a palavra
a transforma em obrigação,
ela passa de boca em boca,
de corpo em corpo até vir
à minha mão.
É a esta que o mundo
vigia, que os deuses temem;
que os reis se sucumbiam.
A boa palavra não se mostra,
tal qual um bom deus deveria ser.
Sim, é a esta que entrego
as minhas mãos, e toda essa
insignificância que chamam de
vida. É para ela que me resguardo
quando não quero ser feliz. É para
ela que me abro quando a angústia
bate à porta de mim mesma.
É para esta.
P.F. Filipini
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