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Mostrando postagens de abril, 2017

Helena.

   Levantou, fez um coque no cabelo. Olhou para a cama e pensou em arrumar, mas saiu do quarto já com bastante cheiro de lágrima. Lágrima tem cheiro. Cheiro do-que-eu-queria-que-fosse-e-não-é.    Foi ao banheiro escovar os dentes, ficou parada se olhando no espelho, mas seus pensamentos estavam em outro mundo, até o cheiro do café penetrar o banheiro. A cafeteira encheu demais, caiu gotas de café pelo chão. Não importava, não importava mais.    Helena chegou a pensar um dia que o mundo era dela, mas não era. Mas quando o café caiu no chão, ela lembrou o que mais queria esquecer: alguém que não existe mais naquela casa. A cafeteira não precisava mais ficar cheia. Mas já faziam 4 meses. É tempo de se acostumar.    Sentou na mesa com uma xícara de café preto, e agora ela não adoçava mais, porque a vida não era mais doce, e comeu uma bolacha de água e sal. E talvez a vida seja isso: água e sal. Naquele momento a vida estava salgada demais para engo...