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Por tanto tempo quis pessoas ao meu redor, para falar a mim o quanto a vida era boa ou o quanto poderia se tornar, pessoas para me dizer que a esperança tarda, mas vem num solavanco. 
Pedia, num estado de ignorância do momento, que Deus estivesse sempre ao meu lado, e de tanto querer, eu o sentia. O meu querer me confundia, o Deus que me pregavam (e me pregam) nunca existiu, Ele era/é apenas a resposta que eu dava quando não tinha mais respostas cabíveis. 
Após alguns anos, gradativamente, comecei a compreender que sou parte de tudo o que os meus sentidos compartilham comigo. A minha matéria é parte do céu, as estrelas são um eu encarnado no cosmos. 
Sou insignificante diante do Universo, e não me sinto constrangida ou com o espírito abatido por tal constatação, na verdade um sentimento de euforia me abraça nesse momento, porque é a primeira vez que me igualo ao que sou.
 Nós nos consideramos muito, mas somos nada. Criamos deuses porque não conseguimos lidar com aquilo que está intrinsecamente arraigado em nós: o eu.
Quanta audácia querermos atribuir a um deus todo o mistério do Universo! Somos tão pequenos que temos a cruel necessidade de crermos indiscutivelmente em nossas próprias criações, isso não cabe só à ideia de deus.

 O problema não reside em você crer num deus, mas quando o considera a única verdade sem buscar outros conhecimentos, sem analisar o que segue e principalmente, sem questionar esse deus, então dificilmente você terá a chance de conhecer a si mesmo, porque estará ocupado demais regando a sua verdade. Toda verdade deve ser questionada. Só não se esqueça de que você não é mais importante que um verme dentro do processo de evolução, somos todos parte do mesmo material. Pare de achar que é especial.

P.F. Filipini

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