Fazia frio e o fogo estava aceso.
A chaleira estava fervendo, correu para desligar e fazer o chá de hibisco, que combinava com a cor do fogo, para onde estava de frente agora, sentada em sua poltrona acolchoada, que balançava. Um cobertor sob as pernas. Tinha uma mania de combinar cores.
Deixou o chá esfriar e enquanto esperava, passou os olhos pela sala. Na outra poltrona, um caderno de capa marrom, com folhas vazias, que comprou em qualquer dia desses para ajudar alguém na rua. Foi buscar o caderno. Sentou. Abriu na primeira página. Pensou em algo. Levantou-se novamente e pegou uma caneta preta. Começou a escrever...
Quando Liana acordou, já era dia. Viu o chá ao lado, provavelmente bem gelado. Não foi nem tocado. Fazia mais frio do que ontem.
Deu mais uma chance ao chá, mais uma tentativa. Se enrolou na coberta e foi para a cozinha. Colocou a água para ferver, fez torradas na torradeira. A manteiga estava dura, optou por geleia de figo. Colocou a água no chá, arrumou a mesa, e foi ao banheiro lavar o rosto. Agora sim estava pronta para o chá da manhã. Sentou na mesa e viu o caderno caído no chão, ao lado da poltrona.
"Querido caderno marrom do Centro da cidade,
Oi, meu nome é Liana.
Será que existe alguém
"O fato é que meus pensamentos tomam conta de mim, acho que eles são maiores do que eu. Eles coordenam as minhas atitudes, que às vezes queriam ser outras. Os meus pensamentos julgam demais, supõem demais, e não dão espaço para que eu os organize aqui dentro da cabeça.
Mas sabe, os meus pensamentos têm medo do meu coração. Quando eles percebem que estou colocando o coração a frente de tudo, não tem como eles agirem, os pensamentos ficam sem reação, sem ação, sem pensamentos, sem suposições, sem julgamentos.
É que meu coração, vermelho do jeito que é, não deixa nada passar. Não deixa ninguém passar.
E por falar em ninguém... é melhor não falar mesmo.
Meu coração, tenho pena dele, sente falta de afeto, de outras maneiras de se sentir quente. De outras maneiras de sentir, sabe?
É, eu não sei... o meu chá está esfriando, o fogo está se apagando, o frio está entrando pelas cobertas. É hora de dormir".
Era isso, alguma coisa a ver com o coração... Deu o último gole no chá, puxou mais a coberta pra si e suspirou.
A chaleira estava fervendo, correu para desligar e fazer o chá de hibisco, que combinava com a cor do fogo, para onde estava de frente agora, sentada em sua poltrona acolchoada, que balançava. Um cobertor sob as pernas. Tinha uma mania de combinar cores.
Deixou o chá esfriar e enquanto esperava, passou os olhos pela sala. Na outra poltrona, um caderno de capa marrom, com folhas vazias, que comprou em qualquer dia desses para ajudar alguém na rua. Foi buscar o caderno. Sentou. Abriu na primeira página. Pensou em algo. Levantou-se novamente e pegou uma caneta preta. Começou a escrever...
Quando Liana acordou, já era dia. Viu o chá ao lado, provavelmente bem gelado. Não foi nem tocado. Fazia mais frio do que ontem.
Deu mais uma chance ao chá, mais uma tentativa. Se enrolou na coberta e foi para a cozinha. Colocou a água para ferver, fez torradas na torradeira. A manteiga estava dura, optou por geleia de figo. Colocou a água no chá, arrumou a mesa, e foi ao banheiro lavar o rosto. Agora sim estava pronta para o chá da manhã. Sentou na mesa e viu o caderno caído no chão, ao lado da poltrona.
"
Mas sabe, os meus pensamentos têm medo do meu coração. Quando eles percebem que estou colocando o coração a frente de tudo, não tem como eles agirem, os pensamentos ficam sem reação, sem ação, sem pensamentos, sem suposições, sem julgamentos.
É que meu coração, vermelho do jeito que é, não deixa nada passar. Não deixa ninguém passar.
E por falar em ninguém... é melhor não falar mesmo.
Meu coração, tenho pena dele, sente falta de afeto, de outras maneiras de se sentir quente. De outras maneiras de sentir, sabe?
É, eu não sei... o meu chá está esfriando, o fogo está se apagando, o frio está entrando pelas cobertas. É hora de dormir".
Era isso, alguma coisa a ver com o coração... Deu o último gole no chá, puxou mais a coberta pra si e suspirou.
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