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Conto 1.

 Primavera. Dia lindo. E faziam três anos de namoro, tava tudo perfeito, até um dos dois desistirem, até um dos dois trocarem três anos de amor por liberdade. Liberdade. Apenas isso.
 Maria trocou amigas, baladas, homens, família e adolescência, por um amor, e não se arrependera disso até então. Diego era a sua cabeça, vivia por ele e esqueceu de viver por ela mesma, tudo em troca dele, nada a altura o substituía. Diego. Diego trocou curtição, futebol com amigos, estudos, melhores amigos. Por ela. Porque ele sabia que dali em diante ela seria sua. Pra sempre.
 De duas semanas pra cá, Maria mudou, tão repentinamente, sem explicações, sem se abrir com ninguém, ficou com suas angústias para si. E o desespero dentro dela ia crescendo, sentia-se sozinha. Jamais se imaginou vivendo sem Diego, agora já não dava mais, ela sentia-se muito presa à ele. Aquele era um momento dela, abriu os olhos pro mundo e viu que não aproveitara nada, sua adolescência tá passando rápido, tão rápido que só tem restado Diego, olha em volta e encontra apenas poucas amigas; afastou-se daquelas que não queria e que agora sente falta. Alucinação total.
 Já Diego, Diego continuava muito apaixonado e sentia que estava perdendo sua amada para o tempo. O tempo. Ele levara tudo, e só restava poucas lembranças, lembranças de como vivia antes de encontrar Maria.
 Diego era romântico e Maria tinha um gênio difícil, pra ela era difícil perdoar. Ele, por seu amor, perdoaria qualquer coisa.
 Tudo que Maria quer agora é a liberdade. 
 Tudo que Diego quer agora, é estar perto dela.
 Se fosse por liberdade, ele daria toda a liberdade pra ela, desde que ainda incluísse ele na sua vida.
 De fato, Maria nunca encontraria ninguém como ele, Diego é único, assim como ela é pra ele.
 Brigas e mais brigas... E infelicidade.
 Dia chuvoso, Diego no volante, Maria no banco ao lado. Ambos discutindo. Ela terminara com ele. Ele não aceitara, estava desesperado. Choro, muito choro. Maria já não sabia mais o que falava, Diego perdera o chão e todos os sentidos.
 Um caminhão. Berros. Caminhos errados. Luz forte. Mato. Carro rolando. Sangue. Morte...
 Passaram-se 8 anos da morte de Maria e Diego, Paulo brincava no parque com seu filho, quando este deixa a bola atravessar o outro lado da calçada. Uma menina pega a bola, e pergunta ao garoto vindo em sua direção: - É sua?
Garoto: Sim. Qual seu nome?
Garota: Maria, e o seu?
Garoto: Diego.
 Ambos sorriem.
 E o amor era tanto, que se encontraram em outras vidas.

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