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Alessandra, a cidade xará.

 Alessandra não tem muitos habitantes, não sei dizer em números quantos exatamente a habitam; mas eu também me chamo Alessandra e não sou uma cidade, mas a Alessandra a que me refiro é uma cidade.
 Soube pela minha Mãe, que antes de eu nascer esse lugar não tinha nome, agora tem e é minha xará. E o interessante é que sou a única Alessandra aqui em Alessandra, e fatos engraçados acontecem por causa disso, por exemplo:
 - Qual seu nome?
 - Alessandra.
 - Não, não. Não estou perguntando onde você mora, estou perguntando seu nome.
...
 - Vovó, estou indo em Alessandra! (Alessandra eu ou Alessandra cidade?)
 ...
 Não é fácil ser Alessandra, porque eu e Alessandra temos muitos problemas, acho até que sofremos das mesmas coisas. A educação dessa cidade é péssima, e a minha também; há muitas enchentes por aqui, e dentro de mim também; Alessandra perde pessoas pelo tráfico de drogas, assim também acontece comigo... entre outras coisas.
 Em Alessandra tem uma lagoa, uma lagoa bonita, onde a maioria das famílias passam seus finais de semana, e para homenagear a cidade, a lagoa também se chama Alessandra. Mas eu não vejo graça ficar sentada ao redor de uma lagoa, admirando-a, prefiro continuar a procurar formas de mudar meu nome logo.
 Eu e minha família somos a família mais antiga da cidade, antes mesmo de ela ganhar esse nome. Aliás, Alessandra é uma cidade muito famíliar, várias famílias vem a passeio também.
 Aqui na cidade xará todos se falam, se cumprimentam, são vizinhos, todo mundo mora perto de todo mundo, há galos nas ruas, e grande parte dos moradores são comerciantes, e esse pequeno povo criativo nomeia seus comércios com o nome da cidade: Padaria Alessandra, Agropecuária Alessandra, Pastéis Alessandra, Alessandra pet shop, e por aí vai.
 Minha cidade abusa do meu nome, há várias coisas chamadas de Alessandra, mas logo eu tenho que ser a única moradora Alessandra.
 No geral, Alessandra é uma cidade sem criatividade, assim como eu, que não tenho criatividade nem para falar da minha própria cidade, parecendo uma narradora que a qualquer hora se intromete na história, falando mais de si do que da cidade, ou talvez porque somos tão próximas que não tem como mencionar a cidade sem me mencionar junto, e que pensando bem, não trocarei mais de nome.

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