Seu Everaldo morreu.
Era vizinho aqui do bloco ao lado, morava no terceiro andar, e podia ser muito bem notado na janela do seu apartamento todos os dias. Ficava lá, sempre fumando, sempre com o cigarro como companheiro.
Ás vezes ia pro bar, tomava cerveja, assistia um jogo de futebol, conversava pouco. E andava sozinho, tanto que só fui descobrir que era casado hoje, no dia em que faleceu.
Carros de polícia, bombeiros, e uma senhora desesperada. Cabelos grisalhos, sufocada já de tanto chorar, soluçar. Quem sabe, ela saiba dos motivos, ou não... mas creio que sim. Acho que seu Everaldo teria motivos. Não trabalhava, ficava andando por aí, na verdade, passava a maior parte de seu tempo dentro de casa e não largava o cigarro, ficava na janela todo dia, assim como o anúncio de sua morte foi: "sabe aquele do outro bloco que ficava na janela fumando? ele morreu".
Ele deveria se sentir um tanto sozinho. Ou não conseguia nada porque não "prestava", ou porque já tinha morrido a muito tempo, sim, porque, pra mim, quem não vive já morreu, quem não ama já morreu, quem não é gentil já morreu, continua vivo só porque Deus (ou uma força maior) permite. Claro que todo mundo tem um motivo pra ser o que é, o dele poderia ser simplesmente ter optado por aquela vida, por não fazer nada (bom, na verdade eu não sei ao certo), daí se viu onde todo mundo via ele e viu que não tinha saída, tava acabado, era pra ele ser aquilo e deu.
Ou de certo tinha decepções com a família, ou tinha filhos e não procuravam-o. Não se sabe. Mas admito que estou curiosa para saber tal motivo.
Vai ser estranho passar por ali, olhar pra janela do terceiro andar e não ver ele, ainda mais estranho saber que ele foi encontrado sobre o vaso sanitário de seu apartamento, enforcado com um barbante. Aliás, eu já tinha dito que ele mesmo que tinha se matado? Não lembro se já falei.
Imagina a mulher chegar em casa e dar de cara com o marido enforcado. Aliás, foi ele mesmo que se matou?
Era vizinho aqui do bloco ao lado, morava no terceiro andar, e podia ser muito bem notado na janela do seu apartamento todos os dias. Ficava lá, sempre fumando, sempre com o cigarro como companheiro.
Ás vezes ia pro bar, tomava cerveja, assistia um jogo de futebol, conversava pouco. E andava sozinho, tanto que só fui descobrir que era casado hoje, no dia em que faleceu.
Carros de polícia, bombeiros, e uma senhora desesperada. Cabelos grisalhos, sufocada já de tanto chorar, soluçar. Quem sabe, ela saiba dos motivos, ou não... mas creio que sim. Acho que seu Everaldo teria motivos. Não trabalhava, ficava andando por aí, na verdade, passava a maior parte de seu tempo dentro de casa e não largava o cigarro, ficava na janela todo dia, assim como o anúncio de sua morte foi: "sabe aquele do outro bloco que ficava na janela fumando? ele morreu".
Ele deveria se sentir um tanto sozinho. Ou não conseguia nada porque não "prestava", ou porque já tinha morrido a muito tempo, sim, porque, pra mim, quem não vive já morreu, quem não ama já morreu, quem não é gentil já morreu, continua vivo só porque Deus (ou uma força maior) permite. Claro que todo mundo tem um motivo pra ser o que é, o dele poderia ser simplesmente ter optado por aquela vida, por não fazer nada (bom, na verdade eu não sei ao certo), daí se viu onde todo mundo via ele e viu que não tinha saída, tava acabado, era pra ele ser aquilo e deu.
Ou de certo tinha decepções com a família, ou tinha filhos e não procuravam-o. Não se sabe. Mas admito que estou curiosa para saber tal motivo.
Vai ser estranho passar por ali, olhar pra janela do terceiro andar e não ver ele, ainda mais estranho saber que ele foi encontrado sobre o vaso sanitário de seu apartamento, enforcado com um barbante. Aliás, eu já tinha dito que ele mesmo que tinha se matado? Não lembro se já falei.
Imagina a mulher chegar em casa e dar de cara com o marido enforcado. Aliás, foi ele mesmo que se matou?
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