E ele desceu, e rodopiou, e correu por todas as escadas, às vezes de dois em dois degraus, às vezes não corria, pulava. E quando ficava cansado, respirava fundo e ia de um em um degrau, daí lembrava da força que tinha e subia mais rápido
"Fico de longe de ti porque preciso, volto porque te amo", era isso e apenas isso que entoava na cabeça dele enquanto ia.
E lá no final da escadaria estava ela, a porta de número 713, que nunca pareceu tão longe...
-
Parecia a noite mais feliz do mundo pra ele, estava com Cris, achou que ela tinha voltado pra ficar. Dormiu feliz aquela noite, ao lado dela, não precisava de mais, aliás, ela prometeu que não iria mais embora, mas lutou por tudo o que conquistou e não foi fácil, não foi! E agora ela tinha que voltar de novo, o trabalho chamou-a, e era pela busca do grande sonho dela que ela ia, e se dedicava pra isso mais do que se dedicava pra ele.
Nunca se sentiu tão especial pra ninguém, sabia que ele tinha trocado seu plantão por ela, e que trocaria várias outras coisas, ela era a privilegiada, ela era a mais importante pra ele, ela sabia. Chorava, porque também queria que ele fosse o mais importante pra ela, ela trocou ele pelo trabalho mais uma vez, mais uma vez o trabalho foi mais importante e nessa embriaguez de lágrimas foi que... "713, por favor, número 713"...
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- Me leve ao 713, Doutor Al..." E se foi. Dessa vez, a viagem dela foi outra.
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Ainda perto dali, e por sorte, no mesmo bairro de que saíra, Cris se acidentou enquanto dirigia, ainda não foi noticiado como, mas foi levada para o hospital mais perto dali, pro numero 713, como pediu.
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E então ele acordou e viu que ela não estava ali ao seu lado, na cama, quando vê de relance um bilhete e reconhece a letra e o papel rasgado da agenda dela, o primeiro pensamento que passa pela sua cabeça é: não, ela não faria! MAS FEZ!
A raiva dele foi tanta que não coube espaço ao choro. Como ela seria capaz? Depois de tudo que prometeu, depois de todas as coisas que planejaram juntos pro futuro, depois daquela noite inesquecível...
Lembrou-se do plantão, foi para lá antes que acabasse sua hora, se nada tivesse-o esperando na emergência, iria para o quarto das crianças e esqueceria isso por horas.
-
- Emergência, quarto 713, paciente já na espera.
Como assim?
713 era o quarto em que ele atendia emergências, realizava as cirurgias e coisas do tipo.
- Como assim tem alguém na minha sala, sem minha autorização? E se eu não comparecesse hoje? Aquela pessoa morreria lá?
- Nós sabíamos que você viria!
E foi passada as informações da paciente e ele quase não pode acreditar, não quis acreditar.
Merda de elevador!
-
Ela tinha dito que ficaria, ele tinha implorado pra que ela ficasse. Agora é como se ela tivesse ido duas vezes e não voltasse, era uma dor muito mais perturbadora, mas ele mais uma vez faria ela voltar, e prometeu pra ele mesmo que seria para fazer ela ficar. Ficar com ele, sem idas e vindas, até quando fosse permitida a vontade de Deus.
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E abriu a porta, e viu o rosto dela, sujo, sangrento, e já inconsciente, e falou enquanto pensou: Volta, porque você me ama!
-
Quando ela foi embora aquela manhã, já não tinha mais palavras que fizessem-o acreditar nela, arrancou um pedaço de folha da agenda, e sem palavras escreveu: Fico longe de ti porque preciso, volto porque te amo.
Pegou seu carro e foi à seu destino.
-
- Agora você não precisa ficar mais longe de mim, volta! Se me ama, volta! Volta!
E depois de algumas horas de cirurgia e descanso, voltou-se pra ela e disse essas palavras, beijou-a na boca, estava de olhos fechados, não sabia rezar, mas tentava rezar o que sua Mãe ensinou, não pode ver o sorriso que ela dera, não abriu os olhos, mas o sorriso custou dores e tentativas, os músculos da boca dela doíam, agora, ainda mais. Não daria aquele sorriso tão cedo. Então ele olhou pra ela novamente, percebeu as lágrimas correndo pela face dela. "Ela me ouviu, está voltando", pensou.
-
Já tinha passado um tempo depois que tudo isso aconteceu, eles estavam juntos novamente, mas isso não foi o suficiente pra ela ficar. Continuou indo e vindo, indo porque precisava, tinha um sonho a zelar, e ele até que parou de pressioná-la por causa disso, pois sabia que ela nunca desistiria de seus sonhos, era guerreira, e ele sabia que seria um alívio pra ela (e agora pra ele também) que ela viajasse em paz, sabendo que ele sempre a esperaria, aliás, quem ama sempre espera.
E eu também queria que ela não fosse mais, que depois do acidente, ficasse só com ele, mas ele esperava ela, esperava porque sabia que ela amava ele e então sempre voltaria.
"Fico de longe de ti porque preciso, volto porque te amo", era isso e apenas isso que entoava na cabeça dele enquanto ia.
E lá no final da escadaria estava ela, a porta de número 713, que nunca pareceu tão longe...
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Parecia a noite mais feliz do mundo pra ele, estava com Cris, achou que ela tinha voltado pra ficar. Dormiu feliz aquela noite, ao lado dela, não precisava de mais, aliás, ela prometeu que não iria mais embora, mas lutou por tudo o que conquistou e não foi fácil, não foi! E agora ela tinha que voltar de novo, o trabalho chamou-a, e era pela busca do grande sonho dela que ela ia, e se dedicava pra isso mais do que se dedicava pra ele.
Nunca se sentiu tão especial pra ninguém, sabia que ele tinha trocado seu plantão por ela, e que trocaria várias outras coisas, ela era a privilegiada, ela era a mais importante pra ele, ela sabia. Chorava, porque também queria que ele fosse o mais importante pra ela, ela trocou ele pelo trabalho mais uma vez, mais uma vez o trabalho foi mais importante e nessa embriaguez de lágrimas foi que... "713, por favor, número 713"...
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- Me leve ao 713, Doutor Al..." E se foi. Dessa vez, a viagem dela foi outra.
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Ainda perto dali, e por sorte, no mesmo bairro de que saíra, Cris se acidentou enquanto dirigia, ainda não foi noticiado como, mas foi levada para o hospital mais perto dali, pro numero 713, como pediu.
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E então ele acordou e viu que ela não estava ali ao seu lado, na cama, quando vê de relance um bilhete e reconhece a letra e o papel rasgado da agenda dela, o primeiro pensamento que passa pela sua cabeça é: não, ela não faria! MAS FEZ!
A raiva dele foi tanta que não coube espaço ao choro. Como ela seria capaz? Depois de tudo que prometeu, depois de todas as coisas que planejaram juntos pro futuro, depois daquela noite inesquecível...
Lembrou-se do plantão, foi para lá antes que acabasse sua hora, se nada tivesse-o esperando na emergência, iria para o quarto das crianças e esqueceria isso por horas.
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- Emergência, quarto 713, paciente já na espera.
Como assim?
713 era o quarto em que ele atendia emergências, realizava as cirurgias e coisas do tipo.
- Como assim tem alguém na minha sala, sem minha autorização? E se eu não comparecesse hoje? Aquela pessoa morreria lá?
- Nós sabíamos que você viria!
E foi passada as informações da paciente e ele quase não pode acreditar, não quis acreditar.
Merda de elevador!
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Ela tinha dito que ficaria, ele tinha implorado pra que ela ficasse. Agora é como se ela tivesse ido duas vezes e não voltasse, era uma dor muito mais perturbadora, mas ele mais uma vez faria ela voltar, e prometeu pra ele mesmo que seria para fazer ela ficar. Ficar com ele, sem idas e vindas, até quando fosse permitida a vontade de Deus.
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E abriu a porta, e viu o rosto dela, sujo, sangrento, e já inconsciente, e falou enquanto pensou: Volta, porque você me ama!
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Quando ela foi embora aquela manhã, já não tinha mais palavras que fizessem-o acreditar nela, arrancou um pedaço de folha da agenda, e sem palavras escreveu: Fico longe de ti porque preciso, volto porque te amo.
Pegou seu carro e foi à seu destino.
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- Agora você não precisa ficar mais longe de mim, volta! Se me ama, volta! Volta!
E depois de algumas horas de cirurgia e descanso, voltou-se pra ela e disse essas palavras, beijou-a na boca, estava de olhos fechados, não sabia rezar, mas tentava rezar o que sua Mãe ensinou, não pode ver o sorriso que ela dera, não abriu os olhos, mas o sorriso custou dores e tentativas, os músculos da boca dela doíam, agora, ainda mais. Não daria aquele sorriso tão cedo. Então ele olhou pra ela novamente, percebeu as lágrimas correndo pela face dela. "Ela me ouviu, está voltando", pensou.
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Já tinha passado um tempo depois que tudo isso aconteceu, eles estavam juntos novamente, mas isso não foi o suficiente pra ela ficar. Continuou indo e vindo, indo porque precisava, tinha um sonho a zelar, e ele até que parou de pressioná-la por causa disso, pois sabia que ela nunca desistiria de seus sonhos, era guerreira, e ele sabia que seria um alívio pra ela (e agora pra ele também) que ela viajasse em paz, sabendo que ele sempre a esperaria, aliás, quem ama sempre espera.
E eu também queria que ela não fosse mais, que depois do acidente, ficasse só com ele, mas ele esperava ela, esperava porque sabia que ela amava ele e então sempre voltaria.
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