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Ela se chama Verônica.

 Ela não tava nem aí, andava por aí, mas não na rua.
 Gostava de algodão doce. Algodão-doce-rosa, era o preferido.
 Quando chovia ela não ligava, quando tinha sol ela não ligava, ela não ligava pra nada, nada importava. Parecia feliz assim.
 Ela tinha um gato preto, mas não entendo porquê, ela odiava gatos.
 Um dia ela saiu de casa, deixou o quarto e saiu, e quando saiu, todo mundo olhou pra ela. Ela gostou dos olhares. Eu não entendi os olhares também, ela era feia, não bonita.
 Ela viu o menino e o menino seguia ela, ela gostava disso. Eu não entendi.
 Quando batiam foto com ela, ela não gostava de mostrar o rosto, era feio mesmo. Uma vez se escondeu atrás de flores, ah, sim, ficou bem melhor assim. 
 Até o cachorro do vizinho se assustava com ela. Eu tinha pena. Pena do cachorro.
 Assistia Titanic e chorava sempre que assistia.
 Se achava insignificante, e era mesmo. 
 Era malandra, não fazia nada. Ora, como pode alguém como ela fazer algo? Preferiam que não fizesse mesmo. Desastrada que só ela.
 Achava o mundo estúpido. Ela que era!
 Queria casar, mas não queria namorar, outra coisa dela que não entendo. Ela só queria, nunca dava um passo se quer. Adorava sonhar, só sonhar. Esses dias inventou que queria viajar o mundo, HAHAHAHAHA, ela nunca iria viajar, eu sei, eu conheço. Não tem dinheiro, não tem nada, não ganha nada. Ah sim, ela tem algo sim, livros. E o gato preto que não é tão dela, eu acho, isso eu não sei direito.
 Ela não sabe, mas eu fico rindo dela. É uma menina tão iludida. Coitada.
 Nada faz sentido. Nem pra mim, nem pra ela, nem pra esta escrita, nem pra quem lê, nem pro garoto que segue ela.
 Aliás, esses dias o garoto me perguntou: - Como ela se chama?
 E eu respondi: - Ela se chama Verônica.
 - Verônica. disse ele. Ele sorriu e se foi. O que foi aquilo? Eu não...
 

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