Eu vi que a menina estava toda raivosa, e em sua mão um pedaço de madeira grossa, lisa, comprida e no formato como de um cano. Ela parou no cemitério e olhou, deveria estar procurando algo ou fazendo algum tipo de análise; foi aí que ela correu, parou entre uma tumba e começou a bater com a madeira na tumba, batia, batia e batia. Eu sem entender prossegui pelo cemitério com minha família.
Percebi que tinham mais pessoas fazendo isso, e logo minha família começou a fazer também - eles correram, acharam cada um uma tumba que queria e começavam a bater. Eu, sem entender, me escondi dentro do banheiro que tinha no cemitério.
No banheiro tinha uma janela, dessas que se abrem em três partes horizontais. Eu ouvia muitos berros, palavras ininteligíveis, ouvia pessoas correndo, e sobre a janela do banheiro, agora um clarão, um clarão e um berro ensurdecedor - o berro cessou.
Fez-se silêncio por um momento, ouvi alguém correr perto da porta onde eu estava. Agora uma pessoa batia, eu ouvia, fez-se silêncio de novo, mais uma batida agora. Abri uma fresta da porta, e outra mulher deu mais uma batia sobre a tumba, deveria ser a mesma que batia até agora a pouco, e então eu vi, meu deus, eu... eu não conseguia acreditar, fiquei paralisada, faltou respiração.
Eu vi! Eu vi por entre a fresta daquela porta surgir um demônio, e ele era grande, e tinha asas gigantes, nunca pensei que tivessem asas; ele rugiu, rugiu alto, assim como o primeiro berro que eu tinha escutado. Ele saiu de dentro daquela tumba, era como se não tivesse pés, apenas as asas, mas era enorme aquele. Por um momento de distração, vi outro desses passar correndo atrás de uma mulher, mas não era como se ele corresse, era como se ele rastejasse. Realmente foi um momento louco de distração, a mulher que o acordou não correra, foi então que ele virou pro lado e me viu, fechei a porta, senti aquela coisa rastejar até eu, chegou perto da minha porta e deu um berro, vi seu olho olhar pela fechadura, de encontro ao meu, seus olhos eram de fogo, estava agitado, tinham acordado ele. Ele derrubou aquela porta, e eu corri.
E continuei correndo, só que achei um lugar para me esconder agora, não era muito longe do cemitério, mas ainda dava para ver aquele monte de demônios acordados. O que aquelas pessoas queriam com isso?
Senti uma mão encostar no meu ombro, parei, gelei, perdi o ar novamente. Fui olhando lentamente para trás, era uma mulher negra, um pouco velha. Por um momento cheguei a pensar que eles pudessem se transformar em pessoas, e nos pegarem assim, desprevenidos.
- Você apanhou? - Perguntou a mulher.
- Não... Por quê?
- Porque eu sim, muito. Mas não fui eu que acordei-o, ele me viu passando e me pegou.
Parei para pensar um pouco, não estava entendendo nada.
- Ele quem? Como assim? - Perguntei.
- Um demônio. As pessoas acordam-os para livrarem de seus pecados, eles batem na gente quando acordados, e é por isso que essas pessoas fazem isso, implorando por um perdão divino. Eu cometi muitos pecados, muitos erros nessa vida, então foi onde um me pegou, eles simplesmente sabem. Me bateu muito, passarei o resto da vida tentando de tudo para não pecar, levando comigo sempre os dez mandamentos, seguindo a ordem de Deus, e rezando dez aves maria por dia, não quero ser pega de novo e apanhar como apanhei. Eles tem mãos de fogo, mãos essas que são suas próprias asas, você não sabe como isso machuca, menina. Com algumas pessoas eles simplesmente acabam... Olhe lá!
Virei, e vi sair de dentro de algum lugar, - não sei bem se uma casa ou bar abandonado - algumas pessoas, que sangravam bastante no rosto, roupas rasgadas, pareciam zumbis de um seriado, simplesmente acabadas, indo embora uma atrás da outra, rostos baixos, mal andavam.
Eu acordei e ainda era noite, pensei sobre isso, e foi o sonho mais sem noção que eu já tive.
Percebi que tinham mais pessoas fazendo isso, e logo minha família começou a fazer também - eles correram, acharam cada um uma tumba que queria e começavam a bater. Eu, sem entender, me escondi dentro do banheiro que tinha no cemitério.
No banheiro tinha uma janela, dessas que se abrem em três partes horizontais. Eu ouvia muitos berros, palavras ininteligíveis, ouvia pessoas correndo, e sobre a janela do banheiro, agora um clarão, um clarão e um berro ensurdecedor - o berro cessou.
Fez-se silêncio por um momento, ouvi alguém correr perto da porta onde eu estava. Agora uma pessoa batia, eu ouvia, fez-se silêncio de novo, mais uma batida agora. Abri uma fresta da porta, e outra mulher deu mais uma batia sobre a tumba, deveria ser a mesma que batia até agora a pouco, e então eu vi, meu deus, eu... eu não conseguia acreditar, fiquei paralisada, faltou respiração.
Eu vi! Eu vi por entre a fresta daquela porta surgir um demônio, e ele era grande, e tinha asas gigantes, nunca pensei que tivessem asas; ele rugiu, rugiu alto, assim como o primeiro berro que eu tinha escutado. Ele saiu de dentro daquela tumba, era como se não tivesse pés, apenas as asas, mas era enorme aquele. Por um momento de distração, vi outro desses passar correndo atrás de uma mulher, mas não era como se ele corresse, era como se ele rastejasse. Realmente foi um momento louco de distração, a mulher que o acordou não correra, foi então que ele virou pro lado e me viu, fechei a porta, senti aquela coisa rastejar até eu, chegou perto da minha porta e deu um berro, vi seu olho olhar pela fechadura, de encontro ao meu, seus olhos eram de fogo, estava agitado, tinham acordado ele. Ele derrubou aquela porta, e eu corri.
E continuei correndo, só que achei um lugar para me esconder agora, não era muito longe do cemitério, mas ainda dava para ver aquele monte de demônios acordados. O que aquelas pessoas queriam com isso?
Senti uma mão encostar no meu ombro, parei, gelei, perdi o ar novamente. Fui olhando lentamente para trás, era uma mulher negra, um pouco velha. Por um momento cheguei a pensar que eles pudessem se transformar em pessoas, e nos pegarem assim, desprevenidos.
- Você apanhou? - Perguntou a mulher.
- Não... Por quê?
- Porque eu sim, muito. Mas não fui eu que acordei-o, ele me viu passando e me pegou.
Parei para pensar um pouco, não estava entendendo nada.
- Ele quem? Como assim? - Perguntei.
- Um demônio. As pessoas acordam-os para livrarem de seus pecados, eles batem na gente quando acordados, e é por isso que essas pessoas fazem isso, implorando por um perdão divino. Eu cometi muitos pecados, muitos erros nessa vida, então foi onde um me pegou, eles simplesmente sabem. Me bateu muito, passarei o resto da vida tentando de tudo para não pecar, levando comigo sempre os dez mandamentos, seguindo a ordem de Deus, e rezando dez aves maria por dia, não quero ser pega de novo e apanhar como apanhei. Eles tem mãos de fogo, mãos essas que são suas próprias asas, você não sabe como isso machuca, menina. Com algumas pessoas eles simplesmente acabam... Olhe lá!
Virei, e vi sair de dentro de algum lugar, - não sei bem se uma casa ou bar abandonado - algumas pessoas, que sangravam bastante no rosto, roupas rasgadas, pareciam zumbis de um seriado, simplesmente acabadas, indo embora uma atrás da outra, rostos baixos, mal andavam.
Eu acordei e ainda era noite, pensei sobre isso, e foi o sonho mais sem noção que eu já tive.
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