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Alguns porquês.

Por que escrevo? De onde vem minha inspiração? Em quem me inspiro? São histórias reais ou inventadas?

 Sobre a primeira pergunta, eu prefiro responder por último, ainda que com uma citação.
 Minha inspiração vem de momentos. Momentos. Não tenho uma pessoa ou objeto fixo que me faça querer escrever. São coisas de momentos, tanto vividos como imaginados, sonhados, reflexivos, ou até mesmo lidos. As histórias são de todo tipo, do meu dia a dia, de algumas pessoas, reais, inventadas, são mentiras, e até mesmo uma mistura do real com o sonhado, ou melhor, do real com o como-eu-queria-que-fosse. Minhas histórias são misturadas ao presente-passado-futuro. É tudo junto assim mesmo, nada se separa, é uma correlação com o de-tudo-um-pouco.
 Gosto de uma coisa que a Rachel de Queiroz diz. Ela fala que a razão de escrever parte primeiramente dela mesma: "eu existi, eu sou, eu pensei, eu senti, e eu queria que você soubesse. No fundo, é esse o grito do escritor, de todo artista. É se fazer ver. Eu existo, olha pra mim, escuta o que eu quero dizer, tenho uma coisa pra te contar". E eu concordo com a Rachel de Queiroz, porque ela conseguiu definir o que eu não conseguiria dizer à vocês. O que eu quero é realmente isso, passar à vocês o que eu sinto, o que eu penso, o que eu fiz, o que eu vivi, o que eu vi, o que eu sei, e querer fazer com que toda essa mistura toque vocês, porque de uma forma ou de outra, mesmo que não esteja implícito, me tocou também.
 Não é sobre a minha vida, tudo bem, é também! Mas é muito mais sobre levar até vocês, de primeira mão, de forma poética, dissertativa, crônica, e através de contos, o que já aconteceu à mim e sobre o que eu acho que a vida é, ou sobre o que eu queria que fosse, ou sobre coisas que eu imagino que acontecem. Por vezes vocês tem uma grande parte de mim mais do que qualquer pessoa que convive comigo, mesmo que não me compreendam, estão me lendo, e isso já vale, mas claro que toda a compreensão é mais valiosa ainda.
 Escrevo porque me transbordo de todos os cantos, por todos os cantos. Da vida. Do amor. Da poesia. Das palavras. Das letras. Das coisas que vejo. Do carinho. Da sabedoria. Da Filosofia. Da alegria. Dos sorrisos. Das lágrimas. Da tristeza. Da solidão. De ser só. De ser muitas. De ser amada. De amar. De-tantas-outras-coisas.
 Escrevo porque me liberto. Porque me faço. Porque me crio.
 Escrevo, e vocês já perceberam, fora de rumo, fora do normal, fora da forma correta, fora de normas. Escrevo do meu jeito. Escrevo porque na escrita tenho liberdade. Liberdade! Doce-sabor! Escrevo porque penso que escritor tem essa liberdade de falar o que quiser, de escrever sobre o que quiser, de achar o que quiser, essa liberdade de falar da vida, de falar verdades e mentiras, de falar da vida alheia, de contar histórias, de inventar o que bem querer, de tocar pessoas e corações, de se fazer pensar. E gosto dessa liberdade que a escrita me trás, liberdade esta que por vezes não a encontro ao falar e ao me expressar verbalmente.
 Escrevo porque além de escritora sou meio filósofa, então eu transbordo por duas. Mas escrevo acima de tudo para me salvar, para salvar o leitor, para me fazer de novo alma-de-papel-branco, para produzir sempre mais, para me dar prazer e levar ele à vocês, para crescer e sonhar, para aliviar a dor e acalmar o coração, para me sentir bem e feliz, para me sentir completa e para completar vocês, para fazer e mostrar o meu melhor. Para ser eterna, para ser lembrada, para que algumas dessas palavras entrem na mente de vocês, para que alguma história façam lembrá-los de algo ou de alguém, para que algumas palavras sejam lembradas mais tarde, e lembradas que foram escritas por mim. Para lhe arrancar suspiros. Para que vocês voltem.
 Por isso escolho ser escritora, pela liberdade que esse mundo (de escrita, de palavras, de letras), me convém.

      Um afago no cabelo, mais do que carinhoso, e um sorriso de lado, de Alessandra Lopes.

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