Eu desci do ônibus, e fui andando para o meu prédio, chovia muito e o guarda-chuva azul que eu carregava já não adiantava muito; estava escuro, tinham apenas algumas lâmpadas iluminando. Chovia por todos os lados, uma chuva vertical, horizontal, transversal, de todos os jeitos.
Olhei rapidamente para o lado, e vi que alguém me seguia. Era uma menina, de guarda-chuva também, andando tão apressada quanto eu. Parecia até que fazia os mesmos passos que o meu.
Ela chorava. Quase soluçava. Aquilo me agonizou. Me peguei pensando no que será que ela estava passando, se estava com o mesmo problema que o meu. Pensei em parar para falar com ela, eu precisava conversar. Parei. Ela parou junto. Eu que estava de cabeça baixa, levantei, para olhá-la, e para a minha surpresa, ela era eu. Era só a minha sombra que a iluminação das luzes trazia.
E percebi que chovia em mim também, por todos os meus cantos; lágrimas no meu rosto, no meu coração, agora se misturavam com a água da chuva, caíam no chão, não tinha como ninguém perceber. Estava tão confusa comigo mesma, com os meus pensamentos, que o que eu pensava da menina do guarda-chuva, na verdade era eu. Eu queria conversar, eu precisava conversar. Queria parar de ser essa pessoa aflita, até o meu andar demonstra isso, até o meu andar me entrega.
Tantas coisas que incomodam... coisas que eu queria que cada gota de chuva levasse embora, coisas que são como um temporal dentro de mim, cada aflição é como se fosse um raio do céu, que não atinge só à mim, mas as pessoas também, porque todo mundo tem medo de raios.
Quando senti que a menina me agonizava, e que na verdade era eu, parei pra pensar no quanto eu mesma me agonizava por isso e não percebia. Isso pra mim foi o fim! O fim de toda aflição, de toda agonia, de toda essa chuva que fazia dentro de mim, o fim de cada poça de lama que eu pisava quando andava, o fim dos raios e trovões, o fim de coração molhado e escorregadio, como o meu.
Mas para cada fim, tem um recomeço, e esse recomeço só é dado quando caímos na real.
Outro dia choveu de novo, a noite, e quem estava comigo? A menina do guarda-chuva. Reparei que ela não chorava mais, mas que ainda continuava andando apressadamente, então reduzi meus passos, levantei a cabeça, olhei em volta e percebi como aquela roseira que plantaram perto do muro, já estava se estendendo por ele, até chegar ao outro lado. Reparei que eu não precisava andar mais de cabeça baixa, que tem muita coisa bonita pela frente, para eu ver.
E esse foi mais um fim. O fim da pressa, o fim da cabeça baixa, o fim de não olhar as coisas bonitas lá na frente.
O fim da menina do guarda-chuva.
Olhei rapidamente para o lado, e vi que alguém me seguia. Era uma menina, de guarda-chuva também, andando tão apressada quanto eu. Parecia até que fazia os mesmos passos que o meu.
Ela chorava. Quase soluçava. Aquilo me agonizou. Me peguei pensando no que será que ela estava passando, se estava com o mesmo problema que o meu. Pensei em parar para falar com ela, eu precisava conversar. Parei. Ela parou junto. Eu que estava de cabeça baixa, levantei, para olhá-la, e para a minha surpresa, ela era eu. Era só a minha sombra que a iluminação das luzes trazia.
E percebi que chovia em mim também, por todos os meus cantos; lágrimas no meu rosto, no meu coração, agora se misturavam com a água da chuva, caíam no chão, não tinha como ninguém perceber. Estava tão confusa comigo mesma, com os meus pensamentos, que o que eu pensava da menina do guarda-chuva, na verdade era eu. Eu queria conversar, eu precisava conversar. Queria parar de ser essa pessoa aflita, até o meu andar demonstra isso, até o meu andar me entrega.Tantas coisas que incomodam... coisas que eu queria que cada gota de chuva levasse embora, coisas que são como um temporal dentro de mim, cada aflição é como se fosse um raio do céu, que não atinge só à mim, mas as pessoas também, porque todo mundo tem medo de raios.
Quando senti que a menina me agonizava, e que na verdade era eu, parei pra pensar no quanto eu mesma me agonizava por isso e não percebia. Isso pra mim foi o fim! O fim de toda aflição, de toda agonia, de toda essa chuva que fazia dentro de mim, o fim de cada poça de lama que eu pisava quando andava, o fim dos raios e trovões, o fim de coração molhado e escorregadio, como o meu.
Mas para cada fim, tem um recomeço, e esse recomeço só é dado quando caímos na real.
Outro dia choveu de novo, a noite, e quem estava comigo? A menina do guarda-chuva. Reparei que ela não chorava mais, mas que ainda continuava andando apressadamente, então reduzi meus passos, levantei a cabeça, olhei em volta e percebi como aquela roseira que plantaram perto do muro, já estava se estendendo por ele, até chegar ao outro lado. Reparei que eu não precisava andar mais de cabeça baixa, que tem muita coisa bonita pela frente, para eu ver.
E esse foi mais um fim. O fim da pressa, o fim da cabeça baixa, o fim de não olhar as coisas bonitas lá na frente.
O fim da menina do guarda-chuva.
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