Tirando a parte do dog e do violão, é completamente eu e como me sinto nessa tarefa de falar e escrever. Muito amor, gente!
Acho curioso que quando converso pessoalmente, independente do assunto abordado ou das pessoas que estejam envolvidas no diálogo, nunca consigo expor minhas ideias com fidelidade. Além de gaguejar, inexplicavelmente fico nervoso, e intuitivamente, permito que o bom humor entre em cena de modo que disfarce todas essas falhas mentais. É basicamente como se as palavras certas evaporassem! E a única forma que consigo reprimir esses lapsos, é escrevendo. Mas me pergunto: Por que isso ocorre?
Tirei grande parte do dia de hoje para refletir sobre essa questão, e a resposta que obtive, pelo menos suficiente de saída, é aparentemente simples e óbvia: Eu amo escrever, enquanto o "falar" faço apenas por pura necessidade.
Escrever sem compromisso literário, tomando café com leite generosamente adoçado, ouvindo música suave, com o dog cochilando colado à minha perna, realmente eleva meu espírito (não no sentido religioso), me transcende. Desconheço outra atividade que permita que eu mergulhe tão profundamente nos meus pensamentos mais íntimos, inacessíveis durante os pensares prosaicos que me acompanham na correria do dia-a-dia.
Em um primeiro momento, ao chegar nessa conclusão, me senti sendo um pouco injusto com o meu violão. Porém, existe uma diferença sutil entre essas duas atividades incrivelmente maravilhosas: De fato, tocar violão é uma atividade tão prazerosa quanto escrever, entretanto, se diferenciam nos efeitos que causam: tocar violão esvazia minha mente; escrever faz minha mente transbordar de pensamentos.
Sinceramente, por ora não cobiço nenhum objetivo profissional através da escrita. Reconheço as dificuldades que esse mundo ferozmente capitalista e raso "impõe" para aqueles que desejam serem profundos através da escrita, além de reconhecer minhas intermináveis limitações. Mas impossível me imaginar abandonando os meus relatos idiotas - sempre carregando uma boa carga de drama, indispensável, diga-se de passagem -, memórias singelas e pequenos devaneios. Não teria essa capacidade de ser tão cruel comigo mesmo...
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