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O amor é uno.

  Aí me pediram para escrever sobre o amor, mas daí eu disse que o amor não é de se escrever, é de se sentir.
  Como escrever alguma coisa sobre um sentimento?
  É meio complicado, porque o amor é um só, mas cada pessoa atribui à ele um significado; então o que era uno passa a ser múltiplo. O amor é aquilo que é maior, é o amor-maior, é o amor-maior-da-sua-vida. Você me entende? É a coisa que você mais ama.
  Eu amo a minha casa, a minha Mãe, o meu Pai, a minha irmã, a minha família, o meu quarto, as minhas amigas, a Filosofia... e pensando por esse lado, o amor pode ser múltiplo. Na verdade, ele é confundido como múltiplo.
  O amor é uno porque todas as coisas se unem à uma só. A junção da minha casa + meus pais = amor. A casa que eu amo e os pais que eu amo, estão contidos em uma coisa só. A Filosofia faz parte da minha vida, e é o que eu vivo, então não dá de separar a Filosofia de mim, porque eu sou uma vida, e a vida que eu sou está inclusa na Filosofia e vice-versa.
  A unicidade aqui se dá pelo fato de todas as coisas serem as coisas que você mais ama. Visto que o amor é dito em uma só palavra, e seja ela mesma "amor", há várias definições, mas são várias definições para uma só palavra; o que se iguala ao amor é uma multiplicidade de coisas, mas é essa multiplicidade de coisas que forma uma coisa só, o amor. Assim como um casal que tem um filho, é necessário duas pessoas (múltiplos) para um sentimento maior (e uno), ou seja, uma criança. A criança é a soma, mas é a soma que se traduz em uma palavra, o amor. A criança é una e porta características, assim como o amor.
  O amor, o verdadeiro amor, é infinito, ele não tem começo e nem  fim. Mas há um tipo de amor bonito que se chama amor eterno, que é a mesma coisa que o para sempre.
  O amor bonito, o amor eterno, o amor para sempre é aquele que fica, mas fica com toda a força, dentro da gente, num cantinho. Cantinho esse que acaba de ser esmagado pelo amor infinito. Mas o amor eterno é necessário para que saibamos qual seja o amor infinito. E no final, amor infinito e amor eterno são um e mesmo, que partem de um mesmo processo para um mesmo destinatário.
  O amor infinito é aquele que não tem começo nem fim, é exatamente a mesma descrição que temos do infinito, na matemática, quando traçamos uma linha reta. O amor infinito é aquele que é para ser, que já é, que já foi escrito, o que está destinado a ser nosso, e ele será nosso por toda a nossa vida, a cada minuto, a cada outros amores já vividos, a cada espera, aquele que ultrapassa o último segundo de batimento cardíaco. Ele não é contado e é inumerável, não possui datas nem descrições, não se sabe onde surge e nem em que tempo acaba, porque exatamente este não acaba.
  O amor eterno, não. O amor eterno tem um começo e tem um fim, é do tipo de amor que vem para nos ensinar, mas que sentimos um carinho tão grande que fica no peito, guardado com nós a sete chaves. O amor eterno existe para que possamos esperar o amor infinito tranquilamente e não de forma aguçada. O amor eterno é muito bonito porque ele é a paciência da espera, da tentativa, das idas e vindas, é ele quem nos prepara para o amor infinito. O amor infinito existe infinitamente, mas nem sempre está com nós, ele apenas existe, por isso há o amor eterno. O amor infinito está com nós por toda a nossa vida. O amor eterno a gente não esquece, a gente lembra e dá saudade, mas uma saudade boa, de abrir sorrisos e não de deixar lágrimas. O amor eterno nos ensina e nos prepara, e é por isso que devemos ser eternamente gratos à ele.
  Não há aqui dois tipos de amor, há só um amor, e o amor é inseparável de todos os seus ligamentos, assim como as veias do corpo humano; nós somos um só, mas há várias partes do nosso corpo que se mantém em funcionamento para que vivemos, e assim é o amor, exatamente assim. Há os olhos, as mãos, o toque, o corpo, tudo se ligando a um só sentimento, como se tudo isso fossem veias ligadas aos nossos corações.
 

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