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Se me restasse uma hora de vida.

  Antes, um pequeno parênteses: (Aqui o primeiro post do ano, escrito por mim, alguma coisa meio dissertação-filosófico-poética. Lembrando que o próximo post será o post 200, sim, 200!!! Õ/).

  Se me restasse uma hora de vida eu escreveria.
  Eu escreveria uma carta, um conto, uma poesia, sobre minha vida, sobre o meu último dia, ou então sobre as flores, eu não sei, só sei que escreveria.
  Se me restasse uma hora de vida, tudo o que eu iria querer fazer era escrever, porque escrevendo sou infinita, até quando eu não sei, mas eu serei infinita.
  A morte tem estado na minha cabeça com frequência, mas está muito longe para que eu queira morrer, talvez seja a Filosofia, aliás, ela nos prepara para a morte; e eu diria que não estou preparada, mas só não estou preparada porque não tenho palavras para escrever tudo o que eu gostaria, e eu teria de ser ágil e economizar tempo já que me restaria uma hora de vida, para escrever para todas as pessoas que eu quisesse, ou talvez para mim mesma, quem sabe. Estar preparado para a morte é uma virtude de poucos, ninguém vive a vida se preocupando com a morte, mas é bom que se preocupe, isso causa uma mudança repentina dentro de nós, estado esse em que poucos, muito poucos,  conseguem encontrar-se. Meditar é a palavra. Porque meditar é o nível mais alto do pensar.
  Se me restasse uma hora de vida, eu escreveria sobre o quanto sou feliz, o quanto o mundo é mesmo redondo e o universo é infinitamente gigante, o quanto a lua é muito mais bonita se vista do céu mesmo, bem de pertinho, o quanto as nuvens são mesmo de algodão, e que o azul do céu  visto lá do alto, ainda de mais perto, é muito mais azul que parece pintado de canetinha, o quanto cada estrela vista a noite lá de cima, é como se fosse uma safira - azul e brilhante - que pisca sem parar. Que a galáxia é uma coisa deslumbrante e enigmática, que o céu é mesmo um mistério, e que o escuro da noite talvez não seja tão escuro que a astrologia nada tenha a nos explicar.
  Se me restasse uma hora de vida, eu escreveria às pessoas que eu sinto saudade, porque nesse momento orgulho não seria orgulho, mas seria chamado de uma hora de vida a menos, e significaria correr contra o tempo. É diferente enquanto se vive e enquanto se está morto. Se fomos parar para analisar, por exemplo, se eu escrever agora às pessoas que eu sinto saudade, eu seria taxada de idiota e com um pensamento: "ela não me esqueceu", mas se me restasse uma hora de vida, e depois dessa uma hora as pessoas lessem o que escrevi, eu não seria uma idiota, eu seria uma lembrança boa na vida de cada um, sim,porque é assim que as coisas são, exatamente assim! e ainda, com um suspiro de: "ah, ela nunca me esqueceu mesmo", e talvez alguns , até repensariam o porquê de não estarem do meu lado nessa última hora de vida que me restaria. Acasos são uma coisa, mal entendido é outra.
  Se me restasse uma hora de vida, eu não economizaria em abraços.
  Se me restasse apenas uma hora de vida, eu iria querer fazer muito mais do que isso, mas eu realmente não tenho opções.
  Poxa vida, será que me resta mesmo apenas uma hora de vida? Eu sou tão previsível...
  Talvez esse afastamento todo seja por conta disso, talvez o meu momento mais sozinha seja por conta disso, talvez por querer saber a verdade, por ver a verdade demais, ou até mesmo por achar que sei a verdade. A sabedoria me dói. Me dói porque parece não doer em todos os outros, ou se dói não sentem, não veem.
  Todos nós devemos nos sentir preparados para a morte, porque se o fim não tem data, e as pessoas não são seres extra inteligentes para saberem de tudo, então a sensibilidade exacerbada é mesmo um saco.
  Mas pensando bem, se me restasse apenas uma hora de vida...

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