Eu escrevo sobre dor porque as pessoas sentem dor, porque eu sinto dor, porque nossas Mães sentem dor, porque o mundo inteiro dói, e porque dentro de cada olhar há histórias em que não se podem contar. Não há ninguém que esteja livre da dor.
O mundo se tornou uma dor onde ninguém vê a dor do outro, sendo normal como todas as outras dores, sem cura rápida, mas e por falar em cura, "especialistas do mundo" dizem a terem encontrado e ela se chama Tempo.
Eu não sei se essa cura-Tempo pode mesmo curar as dores do mundo, tampouco sei se pode curar as minhas. Eu já tomei algumas doses de Tempo, que deixaram efeitos colaterais, e pude ver que não é um método 100% eficaz, mas por teimosia, eu continuo tomando Tempo, não só eu, mas as pessoas também. Esse negócio de Tempo tem sido uma experiência única, e quanto aos efeitos colaterais, parece que irão persistir.
Só que dentro de cada olhar há uma coisa a ser dita, mas o problema não é esse. O problema é que as pessoas querem esconder-se por trás do seu próprio olhar. Talvez há um medo dentro de cada um. Os olhares juntos muitas vezes se unem e tornam-se uma só dor, porque se a dor não se encontrasse principalmente nos olhares, por eles não escorreriam lágrimas, e é essa a forma de percebemos a dor, nos olhares. É só ficar atento e perceber. É essa a forma que a vida nos deixou para sentir a dor: chorar.
Pobres sejam nossos olhos, que tudo veem e tudo sentem, tudo ignoram e tudo escondem, que nos iludem, que cegam-nos, mas que fazem também nos enxergar além. Mas não sejamos ignorantes, qual é o ouvido que não dói ao ouvir palavras fortes demais, qual é a pele que não dói pela falta de um toque, ou por um toque indesejado, qual é a boca que não sente dor por atacar ao outro com palavras-de-troco, daquelas que também machucam e doem. Todos os nossos sentidos doem, todos os nossos sentidos nos doem.
Mas são os olhos, são os olhos que se sentem pesados no fim da noite e no início do dia, são os olhos que choram toda a nossa dor, são os olhos que nos sobrecarregam, são os olhos que nos magoam, são os olhos que agem por si próprios, é nos olhos que se concentram as coisas que não mandamos, tão logo as que não queremos ver. Olhos, fortes olhos. Pelos olhos se sente saudade e pelos olhos se mata ela.
Há um núcleo. E o nosso é justamente o coração. E o coração são os olhos da alma, ou seriam os olhos o coração da alma? Os olhos sofrem pelo coração ou é o coração que sofre pelos olhos? O coração sente a dor, mas os olhos é que a expressa. Dentro de qualquer olhar. É assim que funciona.
Saudades daquele tempo em que qualquer machucado se curava fácil com beijo de Mãe. Hoje ainda há o beijo mas não há machucado que se cure mais tão fácil.
O mundo se tornou uma dor onde ninguém vê a dor do outro, sendo normal como todas as outras dores, sem cura rápida, mas e por falar em cura, "especialistas do mundo" dizem a terem encontrado e ela se chama Tempo.
Eu não sei se essa cura-Tempo pode mesmo curar as dores do mundo, tampouco sei se pode curar as minhas. Eu já tomei algumas doses de Tempo, que deixaram efeitos colaterais, e pude ver que não é um método 100% eficaz, mas por teimosia, eu continuo tomando Tempo, não só eu, mas as pessoas também. Esse negócio de Tempo tem sido uma experiência única, e quanto aos efeitos colaterais, parece que irão persistir.
Só que dentro de cada olhar há uma coisa a ser dita, mas o problema não é esse. O problema é que as pessoas querem esconder-se por trás do seu próprio olhar. Talvez há um medo dentro de cada um. Os olhares juntos muitas vezes se unem e tornam-se uma só dor, porque se a dor não se encontrasse principalmente nos olhares, por eles não escorreriam lágrimas, e é essa a forma de percebemos a dor, nos olhares. É só ficar atento e perceber. É essa a forma que a vida nos deixou para sentir a dor: chorar.
Pobres sejam nossos olhos, que tudo veem e tudo sentem, tudo ignoram e tudo escondem, que nos iludem, que cegam-nos, mas que fazem também nos enxergar além. Mas não sejamos ignorantes, qual é o ouvido que não dói ao ouvir palavras fortes demais, qual é a pele que não dói pela falta de um toque, ou por um toque indesejado, qual é a boca que não sente dor por atacar ao outro com palavras-de-troco, daquelas que também machucam e doem. Todos os nossos sentidos doem, todos os nossos sentidos nos doem.
Mas são os olhos, são os olhos que se sentem pesados no fim da noite e no início do dia, são os olhos que choram toda a nossa dor, são os olhos que nos sobrecarregam, são os olhos que nos magoam, são os olhos que agem por si próprios, é nos olhos que se concentram as coisas que não mandamos, tão logo as que não queremos ver. Olhos, fortes olhos. Pelos olhos se sente saudade e pelos olhos se mata ela.
Há um núcleo. E o nosso é justamente o coração. E o coração são os olhos da alma, ou seriam os olhos o coração da alma? Os olhos sofrem pelo coração ou é o coração que sofre pelos olhos? O coração sente a dor, mas os olhos é que a expressa. Dentro de qualquer olhar. É assim que funciona.
Saudades daquele tempo em que qualquer machucado se curava fácil com beijo de Mãe. Hoje ainda há o beijo mas não há machucado que se cure mais tão fácil.
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