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Aí a sua vida muda,
você perde algumas necessidades.
Você se apaixona por Leminski,
por outras músicas,
por outras pessoas,
por outros tipos de comida,
por outros lugares.
Aí você muda o corte de cabelo,
e ele fica curto,
curto como toda a tristeza cortada da sua vida.
Tão curto que fica encaracoladamente-curto.
Encaracolado como aquelas fitinhas de presente,
que enfeitam todo o pacote.
E você pensa em cada vez mudar mais.
Como é bom mudar,
e como os outros ares são realmente bons também.
Bons o suficiente para que sejam melhor do que todos os outros.
Sua vida fica corrida,
você trabalha o dia todo e começa realmente a "ralar",
e estuda de segunda a sábado,
e nesse meio tempo, com as correrias do dia a dia,
do nada perde 9 kg,
e ganha 10 de satisfação pessoal,
e já não tem tempo pra algumas coisas,
nesse meio tempo, do nada conhece pessoas maravilhosas,
nesse meio tempo quando você vê consegue se doar de novo
Abre aquela janela pro amor, mas apenas uma pequena fresta,
que o vento insiste em querer empurrar cada vez mais e abri-la por decreto.
Aí a sua vida, apesar de toda a correria,
começa cada vez mais a ter um sentido.
Um sentido diferente.
A fazer sentido.
Uma alegria imensa de satisfação.
Uma alegria imensa de gratidão.
E aprende com tudo, e vê que realmente tudo é para aprender.
Que a gente não passa pela vida sem que ela nos ensine,
que os momentos que achamos que fossem ruins,
na verdade são ótimos,
porque se não fossem eles, hoje não estaríamos na melhor.
Porque hoje eu estou totalmente para a escrita,
de 24 horas, desde 24 horas, para 24 horas.

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