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Mas que sortuda era a Áurea! teve dois Leminskis!
o adulto pai,
e o pequeno o escritor, o poeta e o gênio, o destaque, o breve,
o intelectual de alma grande.
Me refiro à poesia e à música presente, 
as duas, juntas. Num só ritual.
Caetano Velozo a parte, 
por toda a parceria digna e dita,
"existe alguém em nós,
e muitos dentro de nós,
esse alguém que brilha mais do que milhões de sóis,
e que a escuridão conhece também";
e a outra parte palavras, 
palavras, palavras e palavras.
Com e sem sentido,
mas faladas e disfarçadas tão poeticamente.
Porque a poesia é Leminski,
e Leminski é a poesia, é a música, é a literatura, é e apenas é.
Tanto que nessa brincadeira de falar de Leminski, faz-se poesia.
Onde tem Leminski tem poesia, assim mesmo, repetidamente.
E que amor literário maior do que poesia?!
Nesse jogo de palavras,
nessa busca finda pelo azul do céu,
nessa felicidade não-contida de se ler,
e de se expressar poeticamente.
E essa é pra te dizer,
pra ti e pra vida:
Leminski-te!
Leminski-me!

Pois assim são: 

"Palavras trazidas de longe
pelas águas do Nilo,
um dia, esta pagina, papiro,
vai ter que ser traduzida,
para o símbolo, para o sânscrito,
para todos os dialetos da Índia,
vai ter que dizer bom-dia
ao que só se diz ao pé do ouvido,
vai ter que ser a brusca pedra
onde alguém deixou cair o vidro.
Não e assim que é a vida?"

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