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Morfina.

  Acho que é sobre morfina. A escrita e outras drogas. Ou  a escrita e suas drogas (?!).


Tô com falta de escrita, mas não acho ruim.
Porque deve-se saber, todo escritor só escreve quando está inquieto por dentro.
Nos meus melhores textos eu estava inquieta.
E agora que está tudo calmo por aqui, tão calmo que assusta, a quietez me dá saudade das palavras, porque eu não estou acostumada com a calmaria dia após dia, e parece que ela veio pra ficar.
Todo escritor quando tem um sentimento grande demais quer palavrear ele, mas pela primeira vez eu sinto um sentimento tão único que quero deixá-lo único dentro de mim, porque é tão único que me confunde e eu não sei nomeá-lo.
Talvez eu esteja confusa porque eu não sei onde guardar tanto sentimento, ou seria agradecimento (?!).
Então eu vou fazer assim, eu vou guardá-lo numa caixinha que se chama coração, onde cada veia é um caminho, e esse sentimento é um caminho novo.
Nesse momento volto a ficar inquieta, porque quero me expressar novamente e não sei como...
E dá angústia, porque a palavra é morfina e me consome inteira. Me consome para aliviar tudo o que tem aqui dentro.
Se a palavra é uma droga, pra mim ela é morfina, e aqui encontro-me com síndrome de dependência devido a seu uso constante, que me deixa lúcida.
Até a heroína é derivada da morfina, oh, a droga das palavras, o vício que me traz a heroína como sensação de prazer intenso. Assim fico em busca de maiores doses pra outra vez ficar dopada de tantas palavras, escritas, ditas, em minha mente, em folhas de papel, na parede. E sobre efeito da palavra eu sou totalmente dela. Ela me tem e eu tenho à ela.
A intensão é exatamente essa. Não se entende. Mas eu sinto. A morfina!

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